lunes, 10 de abril de 2017

Fronteiras Atrás



E com o seu coração cheio de areia voltou a cruzar a fronteira que separava dela.
Uma fronteira física, geográfica, alcançável
No meio da ponte soltou uma lagrima cristalina que voltou a encher o leito do seco rio.
O sol castigava-o com a sua incipiente energia.
Castigo físico pela sua cobardia.

Fugir, não buscar, encontrar.


Dor por não saber quem se é nem onde se vai.
O sol cobria-se de nuvens e uma fresca brisa de planalto acariciava a sua pele.
Refrescava-o, limpava o seu corpo dos suplícios do amor, do não sei quê.
Sentiu a sua alma elevar-se. Sentiu como se purificava, sentiu que o seu sangue voltava a correr por toda a sua essência física.

Já não temia.
Presenteou-se com contemplar o céu e se preparou para o que o esperava.
Busco em sonhos respostas. Analisou-se, indago seus desempenhos na vida.
Transformou-se em sombra solitária prostrada num banco vazio no qual só as crinaças o convidavam um pouco ao seu sorriso por algo de magia.
Voltou a buscar respostas nos astros. Abraçaram-no as montanhas e no lugar apareceram milhares de rostros.

Vais longe buscar “um não sei quê” no céu. Buscas que te encontrem o destino, buscas o teu equilíbrio.
Afastas-te, esqueces-te dos rostros cálidos, mas assim sentes, escolhes ir latendo.
O céu começou a fechar-se em nuvens espessas cinzentas que trarão a chuva ao deserto de Uyuni.
As primeiras gotas , grossas duras, afiadas, te castigarão por todo o teu corpo.
Dor física, e o teu eterno sentir imortalizado numa página.

E quando todo o teu corpo empapado de vida sentiu convulsionar-se pelo frio da altura.
Buscas-te novamente sinais, nutriste-te do natural, disso que o céu te oferece.

E do teu coração triste cheio de areia, voltou a brotar algo no deserto, uma pequena semente, um segmento verde de vida e esperança.

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